Em Portugal, a chuva cai sobretudo entre o fim do outono e o início da primavera, e mais no norte do que no sul. Um casamento na primavera ou no outono no Porto, no Minho ou na serra de Sintra deve ter um plano para a chuva preparado; um casamento em pleno verão no Algarve vai precisar mais de um plano para o calor e o sol. Seja onde for, o plano B não é pessimismo. É uma decisão tomada com calma, meses antes, para que ninguém a tenha de tomar em pânico na manhã do casamento.
Um bom plano tem três partes: para onde muda o dia se chover, quem decide e até quando, e o que precisam de ter à mão. E como o verão português traz o seu próprio tempo, o calor e o vento também merecem um plano.
Onde e quando é mais provável chover
- A estação. A maior parte da chuva cai entre o fim do outono e o início da primavera. No continente, o verão é sobretudo seco, embora um aguaceiro nunca seja impossível.
- Norte e sul. A região do Porto e Douro e o Minho são mais chuvosos do que o sul. O Algarve é a região mais seca e com mais sol.
- Sintra. A serra tem um microclima próprio, mais fresco, e está muitas vezes coberta de nevoeiro, mesmo no verão, quando Lisboa, ali ao lado, está com sol.
- Madeira. Amena todo o ano, mas a costa norte e a costa sul podem ter tempo bem diferente no mesmo dia — o que também quer dizer que um sítio alternativo pode estar a uma curta viagem de carro.
- Açores. O tempo muda depressa; «quatro estações num dia» descreve-o bem. Qualquer casamento nos Açores, em qualquer mês, deve ter um plano para a chuva.
Para o clima mês a mês e região a região, vejam os melhores meses por região.
Decidam o plano B quando escolherem o local
O melhor plano para a chuva escolhe-se ao mesmo tempo que o local, porque depende sobretudo dele. Perguntas que vale a pena fazer antes de reservar:
- Há um espaço coberto com tamanho para a cerimónia, e outro para o jantar — ou é a mesma sala, e como se transforma entre uma coisa e outra?
- É possível montar uma tenda, quem trata disso e até quando tem de ser encomendada?
- Até quando tem de ser tomada a decisão no próprio dia, e quem a toma? Perguntem ao local qual é o último momento em que ainda conseguem mudar a montagem.
- Há algum sítio coberto, com boa luz natural, para os retratos e as fotografias de família — um alpendre, uma arcada, um claustro, uma sala com janelas altas?
- Se a cerimónia for noutro sítio, uma igreja, uma praia ou um miradouro, como é que os convidados se deslocam entre os dois à chuva?
Depois, confirmem que gostam mesmo do vosso plano B. Se o espaço coberto for uma sala onde detestariam casar, é muito melhor sabê-lo agora, enquanto ainda podem mudar de local ou de estação. Em como escolher o local há mais sobre o que ver antes de assinar.
O que a chuva faz às fotografias
A chuva não é o fim das boas fotografias. A luz de um dia nublado é suave e uniforme: ninguém fecha os olhos ao sol, não há sombras duras, a pele fica com ótimo aspeto. E a própria chuva pode ser bonita:
- Guarda-chuvas transparentes deixam ver as caras e deixam passar a luz.
- A calçada molhada brilha e guarda reflexos, sobretudo ao anoitecer, quando as luzes se acendem.
- Gotas em contraluz, contra um fundo escuro com a luz por trás, parecem faíscas.
- Portas, alpendres e janelas dão uma luz suave e com direção para os retratos.
- O nevoeiro em Sintra ou sobre os montes do Douro pode fazer uma paisagem parecer pintada.
O que resulta menos bem é uma sala escura, de teto baixo, com toda a gente apertada. Perguntem ao fotógrafo como trabalha em interiores com pouca luz e se leva iluminação, e mostrem-lhe os espaços cobertos do local — ou fotografias deles — antes do dia.
Um kit prático
- Guarda-chuvas de cores neutras — brancos, transparentes ou pretos — para os dois, para os pais e para quem participa na cerimónia. Guarda-chuvas garridos com logótipos acabam em todas as fotografias.
- Toalhas, para as mãos, os sapatos e as cadeiras molhadas.
- Um segundo par de sapatos, e outro para fazer o caminho desde o carro.
- Um plano para o cabelo: um penteado que aguente a humidade e alguém que o saiba compor.
- Um xaile, um casaco ou uma estola com que gostem de ser fotografados.
- Proteção para tudo o que é papel: os votos, a planta das mesas, o livro de honra.
- Placas, ou uma pessoa responsável, para encaminhar os convidados para o espaço coberto se o plano mudar.
O calor e o vento também pedem um plano
Em boa parte de Portugal, o verão traz o problema contrário.
- Calor. O interior — o Alentejo e o vale do Douro — é muito quente em julho e agosto. Ponham a cerimónia à sombra ou ao fim do dia, tenham água sempre à mão onde os convidados esperam, ofereçam leques ou sombrinhas e façam as fotografias de família curtas e à sombra. Pensem nos convidados mais velhos e em quem vai de casaco e gravata.
- Vento. A costa oeste tem muitas vezes um vento forte de norte nas tardes de verão, a nortada. Perguntem ao local qual é o sítio mais abrigado à hora da cerimónia e orientem-na para que os convidados não fiquem de frente para o vento. Ponham pesos no véu ou escolham um mais curto, velas dentro de lanternas, e prendam tudo o que é leve: placas, flores, programas, cones de confétis.
- Sol. O sol do meio-dia é duro para as pessoas e para as fotografias. O horário do dia do casamento mostra como levar os momentos principais para uma luz mais suave.
O que combinar com o fotógrafo
- Sítios cobertos para os retratos, no local ou perto — de preferência vistos antes, e não descobertos no próprio dia.
- Se leva guarda-chuvas transparentes e iluminação para interiores escuros.
- O que acontece se o tempo atrasar o horário: pode ficar mais tempo, e como se resolve isso?
- Se vale a pena aproveitar uma aberta para os retratos, e quem vos avisa quando ela chegar.
- Numa cerimónia ao ar livre longe do local da festa, a partir de que momento combinam todos passar para dentro.
Para continuar: comparem o tempo onde pensam casar em os melhores meses por região, usem como escolher o local para fazer as perguntas certas sobre espaços cobertos e planeiem a luz do dia com o horário do dia do casamento.




